domingo, 12 de fevereiro de 2012

2ª Etapa. Caminho Lx / Fátima [29Jan12]

Continuação 

Após uma boa noite de descanso, preparámo-nos e descemos para o pequeno-almoço servido no café do hotel, onde já estavam os nossos companheiros de viagem à nossa espera. O primeiro e único furo do dia foi do André. Bem, neste caso foi no último dia, eheh, ontem! Reparado o pneu do André, pedimos ao Sr. Pequeno para a última foto de grupo, em Amiais de baixo.

Fotos tiradas e prontos para arrancar, o frio era de rachar e cortar, e cortou mesmo. A primeira descida era interminável, digo isto por causa do frio, às vezes sabe muito bem descer mas não era aquele o caso. No fim dessa descida fomos dar ao centro de ciências vivas nos Olhos d'Água! Bem, quando pensei nesta viagem, este foi o local escolhido para pernoitarmos, mas estava fechado para requalificação do edifício. O espaço que envolvia o centro, digo-vos uma coisa, muito bonito e hei-de lá voltar!

Retomámos o caminho, entrámos no mato e logo deixámos de ter frio, pois apareceu uma daquelas subidas que aquecem. No fim dela, tive de tirar o impermeável. Para quem gosta de andar de bicicleta e tirar fotos, este tipo de aventuras são o ideal, estou completamente rendido às longas distâncias.

Após muita estrada e trilhos, até Fátima ainda tínhamos de atravessar duas serras. Apanhamos zonas que exigiam alguma técnica para transpô-las e uma ou duas vezes tivemos que levar as máquinas à mão. Como já tinha referido, fartámo-nos de subir e no meio de mais uma subida encontrámos um lago artificial com umas pedras, local ideal para mais uma sessão fotográfica.

Prosseguimos caminho e, durante este, o Diogo e o Bastos falaram duma subida em que acontecia algo inexplicável, mas em bom! Eles disseram que numa parte da subida, e ainda eram uns bons metros, o vento batia de frente mas puxava-nos e não custava nada subir até ao topo. Por incrível que pareça, aconteceu mesmo! (Se alguém souber explicar este fenómeno, deixe comentário no fim da crónica).

No topo ficámos deslumbrados com a paisagem. No horizonte víamos a neblina instalada que nos dava a sensação de ser mar. Voltando ao caminho, o Bastos avisou mais uma vez dos perigos na descida. Haviam muitos factores a ter em atenção, tais como as viaturas que circulavam em sentido contrário (!), as curvas apertadas, o mau estado do pavimento e, o maior cuidado, a velocidade que poderíamos alcançar com a enorme descida. Nesse aspecto, prefiro dar uso aos travões, o meu lema é - enquanto tiver pastilhas, é para gastar!

Como mencionei no início desta crónica, tínhamos de atravessar duas serras, subimos muito, mas quem muito sobe também tem de descer, e acho que devemos ter descido à vontade o dobro que subimos, e ainda bem!
Passados uns bons km chegámos a mais um miradouro. Neste, a vista também era bonita, tínhamos à nossa frente Minde e a A1, sinónimo de que faltava pouco.

Tornámos a apanhar mais uma descida para a terra que tínhamos acabado de avistar, as mesmas precauções a tomar e lá fomos nós. Ao chegar dirigimo-nos ao café MINDELICIAS! Energias Repostas e retomámos o gosto do nosso selim! 


E, para mim, este trilho, que denomino como o trilho das Ventoinhas Eólicas, foi o meu favorito de todo o caminho. Era bastante rolante e tinha muita gravilha. Durante algum tempo andei praticamente sozinho, o grupo partiu-se e uns andavam mais rápido, outros andavam a mastigar terreno, isto é um passeio, não uma competição. Gosto de apreciar a paisagem sem ter a pressão de ter que andar mais rápido, são gostos. Não crítico os outros companheiros que iam à frente, haja saúde!

Quando nos juntámos novamente, só nos tornámos a separar no comboio! Pelas indicações de quem já tinha feito o caminho, estávamos mesmo quase a chegar. Desde do início da viagem que nos cruzámos com imensos simpatizantes das duas rodas e pedais, mas não apanhámos ninguém com o mesmo objectivo, normalmente acontece.
No retorno da 2ª etapa atravessámos uma mata e mais uma vez cruzámo-nos com alguns amantes do btt, e passámos por uma mini concentração de algo, penso que fosse algum passeio organizado de btt. Pouco depois, o Bastos avisou-nos de uma casa, toda ela feita de madeira, com um grande terreno, e de facto era muito bonita, parámos um pouco para apreciar. Agora, sim estávamos mesmo a chegar, passámos por baixo de um viaduto da  A1 e já dava para ver a torre do santuário de Fátima.

Houve a sensação de alívio, não do final do passeio, ao chegar ao santuário, mas sim de mais um desafio realizado. Parámos para um pequeno descanso, tiradas as fotos da praxe, despedimo-nos do santuário para irmos para o destino final: Fátima, mas a estação da CP. 

O engraçado é que esta estação devia ser já aqui, e ainda tivemos de pedalar uns 22Km. Lá fomos nós para os derradeiros km. Mais uma vez, tínhamos sido avisados de uma grande e longa subida e cada um também já estava informado dos perigos a ter nas descidas.

Passado o mau bocado da tórrida subida e veio a bonança de uma mega descida. No horizonte dava para contemplar o castelo de Ourém, e no fim da estrada estava um pelotão de aficionados da velocidade.

Chegando a Ourém ainda tivemos um momento de diversão. Passou por nós um Mercedes com uma bicicleta na mala. A parte cómica foi como estava a bicicleta a ser transportada, metade dentro da mala e a outra foraPassado este pequeno momento de diversão, o Bastos notou que o seu pneu da frente estava a ficar vazio. 

Como tínhamos parado para levantar dinheiro, ele seguiu em frente para encher o dito pneu, à bomba, numa Estação de Serviço, e avisou-nos que esperaria por nós à saída de Ourém. Assim foi e, mal lá chegámos, saímos para os últimos km. Ao chegar à dita e tão desejada estação da CP, fomos logo comprar os bilhetes.

Tudo pronto e agora só nos restava esperar pelo comboio. É pá, ainda foi um bom bocado, quase duas horas! Durante esse tempo, houve bifanas e umas “mines” à mistura. Chegada a hora de embarque, foram 5 para um lado e 2 para o outro, isto até ao Entroncamento.

Depois a divisão foi feita doutra maneira, fui com o Mário e o Spínola. E ao chegar a Lisboa fiquei com saudade. É que nestes passeios é criado um lanço muito forte, é um sentimento único.

Lisboa à vista, despedidas à parte. Houve alguém que prometeu escrever e postar as fotos no próprio dia de chegada… Ups! Peço desculpa de só hoje ter terminado esta crónica do caminho a Fátima 2012.  

Até à próxima!

Para ver as fotos desta Etapa Cliquem -  AQUI


terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

1ª Etapa. Caminho Lx / Fátima [28 Jan12]

Boas companheiros do Pedal
Sábado, 28 de janeiro 2012, levantei-me às 06h00 para mais um passeio organizado pelos Cavaleiros do Pedal, e com excelente colaboração do nosso amigo e GPS, Luís Bastos!

O Ponto de encontro foi junto à Pala do pavilhão de Portugal às 07h no parque das nações, Lisboa. Encontrei-me com o Diogo pouco antes e seguimos para o dito local.

Ao chegar, esperámos um pouco  e logo apareceu o resto dos companheiros de viagem "Nomes de guerra - Spinola, Mário e o Bastos".

No inicio éramos onze, e com alguns problemas que foram acontecendo ao longo da última semana, ficamos em sete. 

Neste primeiro dia, fomos de Lisboa até Amiais de Baixo, concelho de Alcanena e iríamos fazer uns 115 quilómetros. Até Santarém foi sempre plano, só mesmo na entrada da dita terra de campinos é que tivemos a primeira subida.

Tirada a 1ª foto!
Seguimos caminho ao encontro de mais dois companheiros de viagem. Seguimos pelos trilhos das Lezírias do Trancão, lá estavam eles à nossa espera. Continuamos por esse caminho até Vialonga. Pois Pois, foi mesmo aí, que num espaço de uma semana, dou a minha segunda queda, e pronto fiquei com a perna neste estado! 


Prosseguindo caminho, continuámos pela N10 até Alenquer, aí fizemos uma pausa, para o pequeno-almoço. Borda D'água, faço publicidade!

Com o estômago bem reforçado, retomámos a nossa viagem pela ciclovia até Vila Franca de Xira. Continuámos pela Nacional até Azambuja, na estação da CP, passamos para o outro lado da linha, no lado do Tejo à Nacional, e continuámos por aí até Santarém. Durante o caminho, apanhamos imensos trilhos, tanto de estrada como terra, mas mais alcatrão, também não se esperava outra coisa. 

Ah, já me esqueci-a de mencionar, que fui o artista deste dia e digo isto porquê? Lembram-se da queda, é que ainda tive dois furos! Da próxima, já não me esqueço de pôr Gel em Ambos os pneus :)

Ao chegar à terra de campinos, tivemos as primeiras subidas do caminho, se não estou em erro! Ao chegar lá em cima, fomos de imediato ao shopping para ir comprar câmaras-de-ar e algumas bebidas energéticas. Compras feitas, seguimos de seguida atrás do Bastos para o merecido almoço e respectivo descanso.
Almoçámos no restaurante "O Chefe", onde comemos uns belos nacos de boi grelhados, e   descansámos um pouco.

No final do almoço, estava um pouco receoso que custasse imenso a pedalar, mas enganei-me redondamente. 

O verdadeiro BTT apareceu a partir daqui, apanhámos muitos trilhos e sem esquecer da subida interminável aos moinhos. Imensas descidas técnicas e com muita precaução à mistura. Por volta das 18h00 chegámos a Amiais de Baixo. Dirigimo-nos ao Hotel Rural Amiribatejo, local escolhido pelo Bastos. Fomos bem atendidos, e as nossas Mulas ficaram numa arrecadação.

Tivemos bons momentos de diversão, o jantar não foi muito famoso, fez-me lembrar o tempo da recruta. Os secretos até estavam comestíveis mas o acompanhamento parecia cimento branco para tapar buracos, mas deu para matar a fomeca!!
Alguns queriam era ver o jogo do SLB vs Feirense, assistimos ao dito Jogo e até estava a correr bem, mas o Sr fiscal de linha anula um golo limpinho ao Feirense, mas pouco tempo depois o Feirense faz o primeiro do jogo, mas nao durou muito, porque o próximo reforço da equipa de Lisboeta, fez o jeito à cabeça e faz um autogolo, sem falar nos dois golos do SLB.
VARELA não se esqueçam, o Homem do jogo! Estou a brincar... ehehehehehe (ñ sei se estou :P). No final do jogo e para minha insatisfação o SLB venceu.
Recolhemos aos quartos para o merecido descanso, mas antes disso rimo-nos imenso com algumas placas espalhas pelo Sr . Pequeno, nome do qual é conhecido do dono do hotel.


Para ver as fotos desta 1ª Etapa Cliquem AQUI

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Caminho de Fátima - 28 e 29Jan2012

A quinze dias do dia D. a equipa está quase completa, falta apenas uma confirmação de Aveiro.
O programa do passeio já foi delineado pelo nosso amigo Fura-Bastos, um Armstrong deste passeio, o nosso GPS, :)!
Pelas suas contas, arrancamos logo pela manhã e a 1ª paragem será em Alverca, a 2ª na Azambuja e a 3ª paragem em Santarém, para o merecido Manjar dos Deuses "o almoço". Ainda dá para fazer uma sesta. No fim dessa horinha, teremos de pedalar até Alcanena e assim terminarmos a 1ª Etapa.

A 2ª Etapa será mais curta, são apenas uns 30km até ao Santuário de Fátima. Quando lá chegarmos não vamos esquecer a foto da praxe e, quem quiser, pode ir tirar umas fotos e acender uma vela em memória de algum ente querido!!

Para finalizar a nossa aventura ainda teremos de pedalar uns quilómetros para a estação da CP de Fátima. Aí sim, vai ser engraçado, nem quero imaginar como se vão enfiar 10 bicicletas num Regional. Só há uma hipótese, entraram 5 na primeira carruagem e outros 5 na última.

Confesso, estou bastante ansioso.

Em todas as viagens que faço de bicicleta e, infelizmente, não foram muitas, costumo fazer um Dorsal. Fica mais barato do que umas t-shirts alusivas ao evento , bem conservado, dura uma vida, para mais um momento Kodak - para mais tarde recordar  desta(s) viagem(ns).
Neste Dorsal,  utilizei apenas uma imagem que tirei da Net e trabalhei um pouco no Paint e o resultado foi porreiro. Só falta mandar imprimir com qualidade e plastificar. Fazer uns furos com argola metálica para que, no caso de chover, não haja infiltração, assim não danifica o Dorsal.
A minha já foi posta na bike, eis o resultado:
Clique na Fig.





segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Fátima à vistaaaaaa!

Boas, companheiros do pedal, há muito que não vinha cá.

Mais uma vez, venho aqui partilhar convosco mais uma viagem que vou fazer em breve. Bem, é só para o próximo ano - o Caminho a Fátima.
Não se trata de nenhuma promessa que tenha feito, pelo menos religiosa, mas sim pelo desafio em si. 

Acho que todos os bttistas, que gostam de longas distâncias, já devem ter ponderado em fazer este Caminho pelo menos uma vez, seja ele feito na íntegra por estrada ou misto. É este último que quero fazer! :)

Este passeio vai ser realizado nos dias 28 e 29 de Janeiro de 2012. A partida será no Parque das Nações, com destino final do 1º dia em Alcanena. É lá que tencionamos ficar na nossa única noite da viagem, mais precisamente em Olhos de Água, no Centro Ciência Viva, que nos vai albergar. No 2º dia iremos sair bem cedo com destino final no Santuário de Fátima. Espero que à hora do almoço já estejamos despachados e depois de reforçar a barriga, rumaremos à estação de ferroviária de Fátima para voltarmos a Lisboa.

Aqui vos deixo um cheirinho do DORSAL feito de propósito para este evento.

Designação:
Foto de fundo, Azulejo do caminho.
Logo dos Cavaleiros do Pedal
Todos os Dorsais serão personalizados 



terça-feira, 15 de novembro de 2011

Póvoa da Galega - 12 Nov 2011

Com o Fim-de-semana à porta e com chuva à espreita, havia sempre uma réstia de esperança que o São Pedro nos desse uma boa manhã de domingo. Acordei com o som da chuva na janela, fiquei um pouco aborrecido e não tinha muita vontade de andar a lavrar mato. Como já tinha combinado há muito, não tive coragem de desmarcar. Então lá fui eu para o local encontro e arrancámos para ir buscar o Sr Nuno ao Areeiro.
Com a trope completa, rumámos para a Póvoa da Galega. Ao chegar, tirámos as bikes da carrinha e fizemos o nosso aquecimento. 
O aviso já tinha sido feito há umas semanas. Havia trilhos de todos os gostos, alguns mais técnicos que outros, muita subida e muita descida que nos exigia alguma perícia.
A lama não ajudava nada e a chuva juntava-se à festa. Percorridos alguns quilómetros fomos obrigados a parar, para um abastecimento fornecido pelos Saloios à descoberta, os anfitriões do passeio.
Reforço esse que consistia em sandes de leitão entre outras iguarias, que bem que soube!

Abastecimento

Tudo ao molho e fé em Deus! 


Já com a barriga cheia, retomámos ao passeio.

Confesso-vos uma coisa, nunca tive muito jeito para dançar mas nesta manhã, apanhei alguns sustos, porque passei-a toda a bailar, principalmente nas descidas, os pneus já não tinham tracção nenhuma. Eu e as silvas temos uma ligação muito forte, não há passeio, que não fique todo arranhado nos braços e neste não houve excepção.
Já nos quilómetros finais, apanhamos um kamikaze e só alguns corajosos é que se  aventuraram!

Kamikaze

No final do passeio aguardava-nos um bom banho e o tão esperado almoço. Agradeço aos Saloios à descoberta por esta bela manhã de convívio
Antes de voltármos para casa, ainda fomos dar uma voltinha numa bicicleta muito especial, ora vejam!!

Beto
Sr. Nuno
Ricardo

Até à próxima.

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Passeio Domingueiro - 30 OUT 2011


O despertador tocou, levantei-me de imediato para mais um passeio de domingo. Preparei tudo e ao sair de casa, reparei que tinha o pneus detrás em baixo. Ao chegar à rua, tirei a bomba e enchi-o, pensei que fosse um furo lento e desloquei-me para o local do ponto de encontro, mas ninguém apareceu. Ainda lá fiquei uns minutos e fui embora.
Aproveitei e fui à BP para encher o pneu com pressão, mas de nada adiantou, tive mesmo de mudar a camara-de-ar. Ao mudar reparei no furo, a camara estava trilhada, nesta situação nem o gel veda. Passado este episódio, pus-me a caminho de Monsanto.
Fui pela ciclovia dos Olivais até à cidade universitária , passando por Telheiras, Colombo e finalmente Monsanto. Andei por alguns trilhos conhecidos e descobri outros, passei por uns singletracks muito porreiros e a única nota negativa era mesmo o piso, estava um pouco lameado, mas deu para passar na mesma.
Fiz por volta de 20 km e depois regressei a casa pelo mesmo caminho. Cada vez que circulo pelas ciclovias, fico muito desiludido com o civismo das pessoas. Se nós os ciclistas/bttistas andamos no passeio, mandam logo bocas, se circulamos na estrada com ciclovia ao lado, podemos ser multados. Não me importo de partilhar a ciclovia com quem vai apeado, mas ao menos que tivessem um pouco de mais atenção e respeito.
Quando vim de Santiago, trouxe de lá uma daquelas buzinas que faz uma barulheira e mesmo assim se nos manifestamos ainda manda vir, whatever.
Ao todo fiz 58km rm 3 horas e apenas 10 minutos parado. Nada mau para quem não andava há duas semanas.

domingo, 30 de outubro de 2011

Regresso a Portugal


Boas, companheiros do pedal

Só faltava esta crónica para terminar o ciclo do caminho.
Estávamos a chegar a Santiago de Compostela, vindos da Costa da Morte, Finisterra. A viagem tinha sido aborrecida, mas ao menos tinha dado para descansar um pouco. Quando chegámos ao terminal de Santiago nem sequer saímos da estação de camionagem, fomos logo à procura de alguma empresa de autocarros que fosse para Portugal e que desse para levar as bikes. O problema foi mesmo esse: as bicicletas, ninguém as levava para fora da península espanhola.
Por fim, conseguimos apanhar um autocarro para Vigo e pensávamos nós que ao lá chegar houvesse alternativa, sem ser o comboio.
Tentámos de tudo, mas não tivemos hipótese. Não havia nenhum transporte que nos levasse as bikes para Portugal, então decidimos ir para a Estação da Renfe (Comboios), aguardar pela sua abertura e embarcar para o Porto.
Para fazer tempo, fomos jantar numa Hamburgueria, perto da estação. A noite estava um pouco fria, mas passou. Não fazia nada parecido desde os tempos de loucura "Juventude". Às 05h e tal, a estação abriu e fomos comprar os bilhetes para Portugal. Por volta da 07h, arrancámos e só pensávamos em chegar ao Porto, embalar as máquinas e voltar para a capital. As saudades eram muitas!

Chegámos ao Porto ainda não eram 10h. Comprámos os bilhetes para o intercidades das 10h50 e mais uma vez ficámos um pouco chateados porque podiam implicar com as bikes, mas  até nisso tivemos sorte. Ao chegar o comboio, entrámos, colocámos as bikes junto ao compartimento para o efeito e seguimos descansados rumo a Lisboa.

Tínhamos chegado finalmente, por volta das 14horas, mais uma missão concluída com êxito.

O próximo passeio vai ser o Caminho Francês, quem alinha?



terça-feira, 18 de outubro de 2011

6ª Etapa - Olveiroa a Finisterra (Múxia)

Boas companheiros!

Eram 06h30 quando o despertador do Filipe berrou e acordou o pessoal todo. Só de pensar que seria a última etapa e talvez a mais longa e dura, devido aos acumulados de subidas e principalmente do cansaço, era um alivio só de pensar que no final do dia já teríamos terminado algo que tinha sido projectado em meados de Abril do ano passado. 

(A vontade de querer fazer estes trilhos era muita, mas quem é quem me ia acompanhar nesta aventura? A única pessoa que partilhava a mesma vontade era a Diana, mas o desejo dela era sair de Santiago até Finisterra, mas eu queria fazê-lo do Porto. Seriam mais de 200 quilómetros e seria o suficiente para obter a Compostelana de bicicleta. Mas ao receber esta última Compostelana fiquei um pouco desiludido, porque é basicamente igual à que tenho em casa, a única diferença é que muda a data. Na minha opinião devia haver Compostelanas diferentes, deviam mencionar de onde se começava e o seu meio de locomoção e mantinham a sua originalidade de séculos.)

Voltando ao caminho, o material estava pronto e só nos faltava vestir e comer algo. Pela primeira vez em todo o caminho, não tivemos de sair para tomar o pequeno-almoço, tínhamos-nos adiantado no dia anterior.
Ao sair do estábulo, senti aquele cheirinho tão desagradável  a estrume de vaca, é do piorio. Fomos ao albergue alternativo beber um cafezinho, era dos poucos locais que àquela hora estava aberto. Despedidas e desejar um bom caminho aos demais caminheiros presentes e prontos para mais uma etapa, talvez a ultima como nós, ou não.
Partimos em direcção às setas, mas havia um pequeno problema é que só o Beto tinha luz à frente e então tivemos de nos colar a uns "camones" que já tinham iniciado o caminho. Não sei porquê mas eles sentiram que nós os estávamos a "seguir" e logo nos despacharam para a frente. Andámos um pouco às apalpadelas mas logo nos habituamos à escuridão e com um pouco de ajuda do luar conseguimos ver as setas.
Àquela hora sentia-se um pouco de frio, mas nada como aquecer com uma subida às ventoinhas eólicas. Na descida não conseguimos usufruir como deve de ser devido à falta de luz, mas, vá lá, ninguém caiu.
Parámos um pouco para a foto numa pequena ponte e continuamos o caminho. Passado uns minutos chegámos ao famoso Marco duplo. Duplo porquê? Porque tem duas direcções, se se for pela esquerda, vai-se para Finisterra por Cee  e se se virar à direita, vai-se para Múxia. Foi o que fizemos, optámos pela direita. Agora sim, o caminho ganhou um pouco mais de interesse para mim (digo isto porque já conhecia o caminho desde Valença do Minho até este ponto de viragem).

Apanhámos trilhos para diversos gostos; com areia, saibro e imensa gravilha. Tanto andámos por estrada como por trilhos. Subimos, descemos e, no final, chegámos a uma placa que nos dava a boa notícia de estarmos perto do primeiro objectivo, Múxia.
Nada melhor que uma boa descida e finalmente a primeira visão que temos ao sair do mato, Múxia. Alivio de termos chegado e mais uma sessão fotográfica aos nossos modelos, para não variar as nossas bikes, que nos acompanharam estes quilómetros todos.
Fomos à procura do albergue do peregrino para recebermos a tão desejada Muxiana, mas, ao chegar ao albergue, deparámos-nos com uma péssima surpresa: estava fechado e só abria às 13h30 e, como ainda eram 11h20, ligámos aos números afixados na entrada. Contactamos com os responsáveis do albergue e disseram-nos que a única alternativa era esperar. Bem, ficar duas horas à espera não fazia parte dos planos e decidimos ir para Finisterra, talvez com alguma sorte ainda consigamos a Muxiana.

Digo-vos uma coisa, o caminho em termos de sinalética estava um pouco confuso ao inicio, existem os marcos com a vieira amarela, mas estas apontam para o chão. É que este caminho faz-se nas duas direcções, Múxia-Finisterra e vice-versa, e o que nos safou foram as setas amarelas, caso contrário tínhamos de nos auxiliar do GPS, mas foram poucas as ocasiões, felizmente.
Numa das diversas paragens efectuadas, o Beto pediu a uma senhora se podia dar-nos alguma água e perguntámos se estaríamos longe de Finisterra e ela respondeu que estávamos em Lires a meio do caminho.
Ao atravessar Lires, a paisagem nem vos digo nada, era de cortar a respiração, junto à estrada reparamos numa praia que nos fez lembrar aquelas praias paradisíacas.

Esta última etapa deve ter sido a mais longa. Finalmente Finisterra, nem sequer parámos para descansar, tínhamos o tempo quase todo cronometrado e fomos de imediato ao Albergue Municipal buscar a Finisterrana. Houve logo uma serie de perguntas em relação ao regresso a Santiago.
O nosso objectivo já tinha sido alcançado, mas ainda faltava ir ao Farol e à Bota de Bronze, situados na costa da morte e foi o que fizemos. Já se notava o cansaço e custava imenso subir, apesar de ser a última. Custou mas valeu o esforço, ao chegar fomos imediatamente ao marco do Quilómetro Zero. Fomos todos juntos para o local onde se encontra a Bota e apreciámos a paisagem espectacular e finalmente a foto de família. Durante estes dias, estes três companheiros do pedal foram meus irmãos de viagem, sem esquecer a Diana. Partilhámos dor e muito cansaço, aturamo-nos sem haver uma única discussão e bons momentos de distracção.

Ao regressar ainda tivemos tempo de tirar mais umas fotos junto à estátua do Peregrino. Ao ir embora, nem o vento nos deixou desfrutar da última descida, era tanto que nem sequer nos atrevíamos de pedalar. Mal que chegamos à Vila, fixámo-nos na paragem e esperámos impacientes pelo autocarro que nos levaria de volta a Santiago. Foram três horas para fazer mais ou menos cem quilómetros, mas deu para descansar.

Para ver as Fotos, clique em - Olveiroa a Finisterra (Múxia)

(Continua)

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

5ª Etapa - Santiago Compostela a Olveiroa

Após nos instalarmos no Seminário, tivemos de sair para o jantar e, ao passar junto à catedral, aproveitámos para ir ver o seu interior. Ao entrar na catedral reparámos que estava a haver a missa do peregrino mas já estava no fim, tivemos alguma sorte em apanhar a demonstração do bota-fumeiro. Diz-se que começou a ser utilizado há alguns séculos, devido ao mau-odor dos peregrinos, que não tinham as condições de higiene de hoje em dia, e que que invadia a catedral., O bota-fumeiro ao ser balançado de um lado para o outro dissipava o mau odor. (ver video)


Após a missa fomos à procura do Galeão para desfrutarmos do manjar.
No fim, demos uma pequena volta e regressámos ao Seminário Menor. Ao chegar, cada um de nós foi preparar o material para o dia seguinte. A Diana ia voltar para Portugal, bem que tentei que ela seguisse viagem connosco, mas em vão.

Dia seguinte: Ainda tínhamos dois dias de viagem pela frente e um deles já estava em curso. Últimos preparativos e arrancámos a caminho de Olveiroa. Muito sinceramente, digo-vos que me custou menos o ano passado que fui a pé, estava bem mais fresco e foi só até Negreira. Um dos factores principais foi o desgaste acumulado e as subidas contínuas.
Ao chegar a Negreira, fomo-nos reforçar , alguns de nós foram aos bocadillos e outros à fruta. Nem sequer passámos pelo Albergue para o dito carimbo, a pressa de terminar a etapa era mais importante. Com o andamento, eu e o Chico ficámos mais à frente e parámos e ficámos à espera dos outros dois elementos. Eles nunca mais chegavam e o Chico foi para trás ver se tinha acontecido alguma coisa. Passado uns minutos recebo uma mensagem a dizer que o Beto tinha tido o seu 3º furo, então voltei para trás.
Ao chegarmos a Olveiroa, dirigi-me à recepção para fazer o registo e deparei-me com um papel na mesa a dizer para nos irmos instalando nas camaratas e por volta das 18horas para ir à recepção fazer os ditos registos. Fui de imediato à procura de quatro camas vagas, mas ao entrar na camarata, não consegui perceber quais as camas ocupadas e então arriscámos e fomos para o estábulo. Era perfeito, tinha um quarto com seis camas e local para deixar as bicicletas, e mais uma vez tivemos sorte, ficámos só nós. 
Ao lado do nosso Albergue, havia um outro alternativo e um pouco mais caro, mas tinha um pequeno bar na recepção e ao lado umas prateleiras que tinham alguns produtos de mercearia, local ideal para nos abastecermos para o dia seguinte e para o nosso pequeno-almoço.
Ao jantar tivemos de ir a outro lado e encontrámos lá um grupo de portugueses, que estava a fazer o mesmo que nós, mas tinha saído de Ponte de Lima e também ia acabar em Finisterra, tal como nós. Finalmente voltámos ao nosso quarto maravilha  e preparámos as últimas coisas para iniciarmos o merecido descanso.

Para ver as fotos, clique em - Santiago Compostela a Olveiroa


domingo, 16 de outubro de 2011

4ª Etapa - Pontevedra a Santiago de Compostela

Boas!
Para esta etapa levantámo-nos cedo (6 horas) e fomos logo à procura de um café para tomar o pequeno-almoço. Reforçámos bem o estômago e dirigimo-nos à igreja que se situa na praça principal de Pontevedra, na zona da BOA para colocar o primeiro carimbo e para nos despedirmo-nos desta bela cidade.

Não sei precisar o tempo, mas foi rápida a corrida de Pontevedra a Caldas de Reis, parámos lá apenas para carimbar as credenciais e arrancámos de imediato para Padrón. Cruzámos-nos com  muitos peregrinos, passámos pela escola que deseja um bom caminho em várias línguas e, ao chegar à dita vila, achei-a diferente. Na última visita as árvores estavam ainda despidas e agora, em pleno Outubro, as ditas árvores estão cobertas de folhagem. É um Outubro diferente, estamos ainda no Verão, daí a minha estranheza!!
Fomos ao bodegón "O Carro" (passe a publicidade) e alguns de nós pediram os famosos pimentos de Padrón e, para espanto meu, eram pequeninos mas muitos saborosos e picantes. O Chico que o diga ehehehe ficou vermelho, vermelhão... tipo a música da Fáfá de Belém. 
Depois dos pimentos, bocadillos de jámon serrano e tortillas que constituíram o nosso almoço, fomos ao Albergue Municipal, para os estreantes do caminho irem conhecer o albergue mais bonito deste Caminho Português. Tenho quase a certeza que a opinião deles foi a mesma que a minha.

Retomámos o caminho, já faltava pouco para Santiago, talvez uns 20 quilómetros e, para variar, o nosso amigo Beto teve o seu 2º furo. A sorte é que perto do "local do crime", havia um pequeno circuito de exercícios e um dos aparelhos, se assim posso chamar, serviu de suporte para a bike e facilitou a reparação
Ao  passar o Miladoiro e ao chegar à central eléctrica, quis apreciar o olhar dos meus companheiros ao avistarem já Santiago de Compostela à distância. Era um olhar único de satisfação e conquista deste primeiro objectivo. Faltavam apenas quatro quilómetros, e à nossa frente tínhamos uma bela descida, mas havia muito vento, o que a estragou.

Ao entrar na cidade, os dois que iam mais à frente perderam as setas e o grupo separou-se devido à excitação de querer chegar primeiro à Catedral, penso que tenha sido isso, não vejo outra explicação. Pouco depois o grupo voltou a encontrar-se porque os dois elementos deixaram de ver as tais setas amarelas, e assim conseguimos chegar todos ao mesmo tempo à praça da catedral de Santiago de Compostela. Na praça de Obradoiro tirámos as fotos da praxe, e eu até eu tirei uma foto de cabeça para o ar, a vista da catedral com uma perspectiva diferente!

O objectivo seguinte foi a Oficina do peregrino para receber a Compostelana e de imediato fomos à procura do Seminário Menor para poder descansar e tomar um rico banho.

Para ver as fotos, clique em - Pontevedra - Santiago de Compostela


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